Notas
O milagre

“Um olhar a cada dia” é um milagre. A jornada do diretor, vivido pelo ator Harvey Keitel, em busca dos rolos perdidos de um dos primeiros filmes dos irmãos Manakis - pioneiros do cinema na Grécia- é de uma sensibilidade grandiosa. Herdeiro do cinema contemplativo do gênio Andrei Tarkovski, o grego Theodoro Angelopoulos parece estar contido na alma do personagem, que é tomado pela obsessão, esta movida pela paixão cinematográfica. O personagem central pula de país em país para tentar encontrar os fragmentos da obra perdida, mas também busca sua vida. Tamanha emoção é sentida em cada segundo na tela: nas ruas escuras, na dança no nevoeiro, no trem partindo, nos longos e apaixonados planos-sequências (a cena do público com os guarda-chuvas é majestosa). “Um olhar a cada dia” é um grande olhar, uma pena que poucas pessoas sintam este grande ardor, o de um cineasta essencialmente preocupado com sua arte e seu mundo. Theo Angelopoulos, obrigado.
Filmes

“Exterminador do Futuro” é inadequado, ruinoso. Não se adequa ao blockbuster porque não diverte. Refiro-me a franquia, já que todos os filmes vestem a mesma roupa, fazem a mesma careta. Não vi o terceiro filme, pulei para o quarto. Talvez a presença de Christian Bale neste novo tivesse chamado minha atenção. Bale é a pior coisa do filme, além de atuar como um poste o ator carrega a voz do personagem que lhe deu sua glória: o homem-morcego. Ah, em Batman funciona que é uma beleza, o personagem pede esta urgência, algumas traquinagens vocais, mas em “Exterminador do Futuro: A Salvação” não desce. O filme também abre alas para o segundo “Transformers”. É cada andróide gigantesco que garante a propaganda da continuação do vídeo-game dirigido pelo abobalhado Michael Bay. Uma surpresa foi “Star Trek”. É divertido, sóbrio e bem conduzido. J.J. Abrams sabe como tratar um blockbuster. É por culpa de caras como Abrams que dá gosto de ir hoje aos cinemas ver filmes enlatados (sempre quis dizer isso). Tem muito enlatado por aí que respeito mais do que muita obra perneta, vendida como “arte”. Abram os olhos.
My Best Friend’s Birthday

Esta semana vi os fragmentos do que seria o primeiro filme de Quentin Tarantino, “My Best friend’s birthday, de 1987. Não existe um fio-condutor. Clarence, vivido pelo Tarantino, quer festejar o aniversário de seu melhor amigo. Um pretexto para o grande diretor cuspir a verborragia contida em sua filmografia e seus fetiches: falar sobre cinema, pés femininos, fazer cinema, música. Muita gente vende a obra como o primeiro filme do autor de “Cães de Aluguel”. Que traquinagem”! A questão é que diverte. “Marlon Brando é um grande ator, mas fez muito filmes de merda”, atira Clarence. “Era louco para trabalhar no departamento de discos no shopping, mas me colocaram para o lado de calçados femininos, acabei tendo fetiches por pés”...Tem até uma luta de kung-fu com um negro imitando Bruce Lee e um travelling no quarto de Clarence, que mostra os pôsteres de cinema na parede. Esse Tarantino! E falando nele, sábado agora, 20/06, tem maldita com “New York Ripper” , do grande Lucio Fulci. Tarantino foi o responsável pela restauração das obras do diretor italiano. “New York Ripper” é o tipo de filme que os críticos adoram massacrar: “ai, é uma vitrine da misoginia”, “ai, clamo por mensagens em um filme”. Balela! É um belo giallo. Fulci é Fulci. Apareçam. Serviço: CINE LÍBERO LUXARDO DO CENTUR E APJCC APRESENTAM: SESSÃO MALDITA NEW YORK RIPPER. DIR: LUCIO FULCI. 93MIN. DATA: 20/06/09. ÀS 21H30. ENTRADA FRANCA
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