Dia do rock

Uma das primeiras coisas do rock que gostei quando garoto foi 'Maybellene', de  Chuck Berry. À época não sabia quem era Beatles, nem o que era o tal de rock and roll. Fui saber que John Lennon era dos Beatles muito mais tarde. Sua última entrevista naquele famoso compacto era a primeira coisa que aparecia quando eu abria o armário com os vinis de meu tio. Daí por diante a curiosidade me levou. Descobri que existia um sublime grupo chamado The Who e que umas das primeiras e subestimadas óperas rock era do grande grupo The Kinks; “Arhur – Or The  Decline and Fall of The British Empire”. Descobri através do meu irmão mais velho que existia vida inteligente no rock progressivo.

Não suportava - e não suporto-  a babaquice de contrapor o punk e o progressivo. Damned, The Buzzycocks e Dead Boys, se dão muito bem com King Crimson, Yes e Van Der Graaf Generator , no meu aparelho. Hoje temos uma penca de bandas ótimas espalhadas pelo Brasil. E são elas que ainda levantam a bandeira deste grande gênero. Hoje comemora-se o Dia do Rock, e nada melhor prestar atenção no que anda rolando no cenário nacional. É só cavar um pouco que coisa boa se acha. Ou será que embustes como Capital Inicial, CPM 22 e Fresno ainda dominarão o mercado?

...Enquanto isso em Belém

A cena  em Belém só não balança com mais força por culpa da gente. Nossa cidade é ávida por produtos reciclados, covers de covers, tudo um saco. É claro que ouvir um grupo fazendo cover não é o fim do mundo. The Beatles,  The Who, Pink Floyd, Sex Pistols, The Stooges, nesse mundo chamado rock, todas as bandas foram cover algum dia, ou já fizeram sua singela homenagem. Mas na hora de ouvir um grupo autoral, a maioria sai de fininho, sem fazer alarde. Temos Turbo , Johnny Rockstar, Stereoscope, La Pupuña e uma batelada de bandas interessantes, mas até quando? Madame Satan dobrou a esquina e foi ver o sol brilhar melhor lá fora. Vinil Laranja participou recentemente de um festival fora do Brasil, e não ficaria surpreso se uma grande gravadora os chamasse.

 

Não me entendam errado, não estou querendo dizer que existe desprezo por parte de alguns músicos de nossa cidade. Todo mundo sabe da falta de apoio, seja do público, da iniciativa privada ou do governo. Faz tempo que nossa terra não carrega esse frescor, essa pluralidade musical, isso se algum dia carregou.  Se não existe público os espaços irão diminuir. Tenho minha parcela de culpa. No último dia 09, Suzana Flag, Johnny Rockstar e La Pupuña, tocaram no Bar Palafita, e eu não fui. Como a banda que surgiu em Castanhal vai tocar todas às quintas desse mês no espaço,  com grupos convidados, ainda tenho tempo de me redimir. Viva o Rock!

   Vale ouvir:

- Video Hits - “Registro Sonoro Oficial”- 2001 (Rio Grande do Sul)

-The River Raid – “The River Raid”- 2007  (Recife)

- Suzana Flag – “Fanzine”- 2002 (Belém)

- Pata de Elefante- “Pata de Elefante”- 2004 (Rio Grande do Sul)

- MQN- “Hellburst”- 2004 ( Goiânia)

- The Feitos- “Na Cabeça da Chorona”- 2007 (Rio de Janeiro)

- Macaco Bong- “EP- 2005/2009” (Cuiabá)

- Pedra- “Pedra”- 2006 (SP)

- Johny Rockstar- “Demo e Ao vivo” -2008/2009  (Belém)

- Shakemakrs - "Shakemakrs-Demo" (Não sei)

 

 

 

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