Quero o novo James Gray

Uma sala alternativa traz o que anda acontecendo de novo no cinema atual, e peita as salas direcionadas ao grande público. E precisa ser regular. O finado Circuito Cinearte por muito tempo fez o papel de quadrante alternativo em nossa cidade. Apesar de não me deliciar tanto com o blefe chamado Dogville, foi o Cinearte que trouxe a incensada obra de Lars Von Trier. Deu oportunidade aos belenenses de terem contato com a obra. O circuito trouxe também Quero ser John Malkovich, Celebridades, Igual a Tudo na vida, Embriagado de Amor e muitos outros. Para cada três filmes pipocas, afinal o empresário precisa movimentar seu caixa, o Cinearte vinha com uma obra "rejeitada”. Filmes que fazem qualquer dono de sala exibidora pensar no bolso vazio. Quem saía de casa tinha um cardápio variado, um pouco, mas tinha. Quem não queria saborear a pipoca atual poderia assistir a outra opção, a alternativa. O Cine estação não é sala alternativa. O Cine Estação deveria trocar de nome: Cine Indigente. É um espaço que sofre, pois recebe esmola do Teatro, de quando em quando alguma coisa é exibida por lá. Já trocaram tanto de horário que a coisa anda feia. Hoje acho que não passa mais de um filme por mês. Foi uma tentativa, um arremedo, uma faísca de chegar perto de uma sala alternativa, mas não deu. Torço para que as coisas mudem.
Analisando friamente, os cineclubes são espaços para quem quer fugir das grandes salas. É uma alternativa? Sim. Mas não é um espaço alternativo, o cineclube estimula o público a compreender, ver, refletir e debater o cinema. Em nossa cidade existem muitos cineclubes, comandados pelos universitários, artistas, pela ACCPA e APJCC, e isso é sublime. Vejo que a coisa anda crescendo cada vez mais. Enquanto isso os espaços alternativos vão sumindo. O Moviecomarte pode ser considerado como um espaço alternativo doente, apesar de ter detestado a maioria dos filmes que vi lá é um local que fura a panaquice exibida nas salas vizinhas. Falar do Cine Olympia é chutar cachorro morto e feio (me refiro às sessões regulares da semana e não ao cineclube que acontece aos domingos quinzenalmente), ali não tem jeito. Recebi esta semana um email que continha alguns textos do pessoal da APJCC (da qual participo) e também da ACCPA. Parece que o fato do projetor do Líbero ter quebrado- e com isso todas as sessões e projetos foram temporariamente cancelados-, fez com que a turma dos velhos e dos jovens trocassem algumas alfinetadas. Tenho apenas uma coisa a dizer sobre o quiprocó: por favor Cine Líbero Luxardo do Centur, volte logo, preciso pensar na esperança de ver o novo James Gray.
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